Através do Fórum Regional de Justiça e Segurança da Região, a comunidade estará ocupando nesta segunda-feira (02/03), às 14 horas, a Tribuna Popular da Câmara Municipal.
Estaremos denunciando o descaso da EPTC com a nossa região. Não comparecimento nas reuniões, o término da Baltazar entre outros assuntos.
Esperamos que os vereadores estajam sensíveis às nossas reivindicações, e não de uma forma concreta, façam o seu papel de fiscalizador do executivo e "intimem" a EPTC a dialogar e a trabalhar pela comunidade.
- Oh, oh, oh, o que Copérnico tem a ver com isso? - exclama padre Eligio.
- Tem sim, padre Eligio. Porque quando a Terra não girava...
- Mas ela sempre girou!
- Não é verdade! O homem não sabia disso e, por conseguinte, era como se não girasse. Para muitos, ela continua a não girar também agora. Eu falei que girava, outro dia, a um velho camponês; sabe o que ele me respondeu? 'Que era uma boa desculpa para os bêbados'".
Luiggi Pirandello. O Falecido Mattia Pascal.
Estranhamente, ninguém da platéia clamou por "pacificação" entre 1999 e 2002, quando a mídia hegemônica guasca e a oposição, em uníssono, declararam guerra ao governo Olívio Dutra (PT).
Toda a elite gaudéria aplaudia o espetáculo, do alto de seus camarotes. Flores eram jogadas quase em desvario, tão logo as cortinas voltavam a se abrir após o fim de mais uma encenação.
Dir-me-ão, provavelmente, que disso não se segue que tal pacificação não possa ocorrer agora, e que revanchismos só conduzem à irracionalidade.
De fato, o revanchismo não é benquisto entre cristãos, acostumados a oferecer a outra face. Mas, que bom que nem todos rezam pela mesma cartilha, não? Que bom, aliás, que alguns sequer rezam...
E, de fato, erros passados não justificam erros semelhantes, presentes ou futuros, como qualquer lógica informal bem demonstra.
Só o cinismo ou o analfabetismo político, porém, para lembrarmos aqui de um grande e engajado dramaturgo, fariam alguém confundir revanchismo com responsabilização. A pacificação política pela qual clama Luciano Alabarse- o que, em boa lógica, implica como contrapartida a existência de um estado de conflito político - passa, necessariamente, pela responsabilização moral dos protagonistas desse enredo.
O espetáculo que se descortina diante de nossos atônitos ou enlevados olhares, dependendo do lugar que ocupamos na plateia, não pode ser despersonalizado. Ele tem atores, um diretor, roteiro e atos. A narrativa é linear e o tempo é o cronológico, muito embora alguns se esforcem, sabe-se lá o porquê, para lhe atribuir a pecha de teatro do absurdo.
Nem isso é suficiente, todavia. Diferentemente do palco teatral, onde mesmo limites éticos são testados e quase todo mise em scène é tolerado, pois elemento da interpretação e fundamental para a construção narrativa, pelo menos para aquela que quer dizer alguma coisa, a arena política é o espaço da responsabilização par excellence, como diriam os conterrâneos de Racine e Molière.
E isso por uma razão muito simples: a política é o espaço da ética, e não do cinismo. Ao contrário do teatro, nenhum experimentalismo moral é bem-vindo em política, e todo jogo de cena só faz por merecer vaias. Há um escândalo de corrupção e investigações em andamento, donde se supõe que emergirão responsáveis. Declarações que comprometem sobremaneira nossa governadora foram feitas e esperamos explicações. É isso que publicamente precisa ser cobrado. Depois, as coisas até podem ser pacificadas. Em alguns contextos históricos a pacificação social foi possível, mas nesse caso não se trata disso. Sequer chegamos a tais extremos, a bem da verdade, a menos que se tome nosso pedante ufanismo como um sintoma de sua proximidade. Entretanto, mesmo assim ainda estamos distante de ouvir, ao longe, os violinos da concórdia, para de braços dados já corrermos todos nus e felizes pelo pampa guasca.
Portanto, não precisamos ter lido Macbeth para sabermos que é hora de responsabilizações, e que exigir isso não tem absolutamente nada a ver com revanchismos de qualquer ordem. Não enxergar isso, na melhor das hipóteses, é analfabetismo político, como já se disse.
Aliás, se é hora de experimentalismos cínicos, vamos arriscar o nosso. É falsa a famigerada dicotomia que divide gaúchos entre situação e oposição, gremistas e colorados, chimangos e maragatos, petistas e antipetistas. Há uma terceira via, a dos justos e equidistantes. É desses homens e mulheres, que na hora do aperto recorrem a discursos supostamente neutros, que precisamos. São tão equânimes que sequer têm nome; são conhecidos somente como aqueles que não se misturam. Buscam a pacificação acima de tudo, mesmo que para isso a despersonalização de seus discursos tripudie sobre a história e sobre a responsabilização moral. Enxergam além, esses homens e mulheres. São quase como que o super-homem nietzschiniano na versão gaudéria, uma espécie de supergaucho. Acima do bem e do mal, não entendem como os belicosos gaúchos não frequentam todos a mesma roda de chimarrão (o mate, quando sorvido em Porto Alegre).
Talvez, todavia, o Palácio Piratini esteja encenando "Assim é, se lhe parece", do grande Pirandello, e disso não saibamos. Talvez a política guasca seja absolutamente relativa e as coisas por aqui mudem totalmente de figura a cada olhar, dependendo da pessoa que observa, e cada representação no palco político guasca seja verdadeira para quem a vê como verdadeira. A verdade, nesse caso, seria absolutamente relativa, um verdadeiro nonsense. Não há verdade, não há história, não há responsabilizações... O que resta são silêncios e pacificações.
O que o Rio Grande do Sul precisa, realmente, é de gente que encene menos. Luciano Alabarse, de tanto teatro, talvez tenha perdido completamente a noção da realidade. Urge que saia de cena do debate público tão despercebido quanto entrou.
Aliás, o que exatamente Alabarse quis dizer com "Se até os índios americanos fumam o cachimbo da paz, por que não esperar que governo e oposição gaúchos pensem mais no bem do nosso Estado do que no umbigo que a natureza lhes deu?" (O grifo é meu). Que se selvagens como eles celebram a paz, nós, os esclarecidos, não temos razão para não fazê-lo?
É a mistura de analfabetismo político e de preconceito que leva à selvageria.
Em 2005, Roberto Jefferson deu uma entrevista exclusiva à Folha, em que lançava dezenas de acusações contra o governo federal. Foi nessa entrevista, também, que Jefferson cunhou a expressão "Mensalão". Vocês se lembram da manchete da Folha de S. Paulo na época? Não? Então, relembremos:
"PT dava mesada de R$ 30 mil a parlamentares, diz Jefferson".
Agora, comparemos com o título da última sexta-feira (20/02/2009 - no "pé" da primeira página da Folha), sobre a denúncia do PSOL de Luciana Genro contra Yeda Crusius, governadora do PSDB (a mesma manchete, aliás, publicada pelos jornalões de Porto Alegre):
"Sem provas, PSOL acusa tucanos de corrupção no RS".
Por que este "sem provas" tão cuidadoso, no título da última sexta-feira (20/02/2009)? Por uma questão de isonomia, o correto seria "Governo tucano tem corrupção e caixa dois, diz PSOL". Por que o mesmo "sem provas" não apareceu na manchete quando Jefferson deu sua entrevista? Hum...
Bem, talvez para a Folha, Jefferson valha mais do que o PSOL. Gosto não se discute. Ou, mais provável: qualquer denúncia contra o partido de Serra (o editorialista preferido da família Frias) merece todo cuidado! Por que a sigla "PSDB" não aparece nem na primeira página, nem na manchete de página interna?
(Isso me lembra a cobertura da Globo, na reta final da eleição de 2006. Os aloprados que tentaram comprar o dossiê contra Serra eram "petistas". O Freud Godoy era "petista". Na hora de falar de Abel Pereira, um sujeito que intermediaria negócios na gestão de Barjas Negri (PSDB) no Ministério da Saúde, aí ninguém falava em "governo do PSDB". A fórmula era: "ministro no governo anterior".)
Mas, voltemos ao caso da corrupção no Rio Grande do Sul. A denúncia é gravíssima. E já há um cadáver. Marcelo Cavalcante, ex-assessor de Yeda Crusius, apareceu morto no Lago Paranoá, em Brasília. Ele deveria ter uma reunião com o Ministério Público Federal em Brasília, logo após o Carnaval. Hum, hum...
Imagine se um ex-assessor do governo da Bahia, do PT, tivesse morrido, poucos dias antes de depor ao Ministério Público, num caso que envolve corrupção? Imagine as manchetes a essa altura? Eu imagino: "Ex-assessor petista aparece morto em Brasília". Seria manchete semana inteira, com matéria na Veja, e editorial na Folha.
Para promotor Gilberto Thums, Fórum Social Mundial reúne "terroristas e marginais"
O Promotor do Ministério Público Estadual do Rio Grande do Sul, Gilberto Thums, classificou o Fórum Social Mundial como encontro de "terroristas e marginais", em matéria publicada na edição de janeiro da revista Expansão, informa nota publicada no site do MST. Thums é um dos promotores do MP gaúcho que defende a extinção do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra.
"Com o Fórum, para onde vieram terroristas e marginais de tudo que é espécie pagos com dinheiro público, veio também o pessoal das Farcs, da Colômbia, para mostrar aos brasileiros que a forma de reivindicação não era a que estava sendo utilizada", disse Thums.
Ele também critica os intelectuais e os próprios colegas do Ministério na entrevista:
"A intelectualidade é toda de esquerda. Mais é muito fácil ganhar R$ 20 mil por mês e ser de esquerda. No próprio Ministério Público temos procuradores da justiça ganhando R$21 mil, e são vermelhos, esquerdistas, são do PC do B, por exemplo".
No dia 10 de fevereiro, o governo Yeda Crusius (PSDB) e o MP estadual decretaram o fechamento de todas as escolas em acampamentos do Movimento Sem Terra no RS. Segundo o MST, a medida interrompeu as aulas de 300 crianças em um acampamento em Sarandi, norte do estado. A previsão é de que outras escolas sejam fechadas ainda este mês. Thums é um dos principais defensores da iniciativa.
Diversas lideranças, conselheiros do OP e presidentes de associações da região estiveram na tarde de ontem na EPTC para cobrar uma agenda com a comunidade. A EPTC não se fez presente à reunião do Fórum de Segurança no dia 12 passado, mesmo o assessor comunitário, Sr. Jorge Ribeiro estar representando o secretário Luiz Afonso Senna e ter se comprometido em estar na reunião, ninguém apareceu.
Para nossa surpresa e indignação, depois de levar um "chá de banco" de mais de 2 horas aguardando no pátio da EPTC, para apenas marcar uma agenda, o Sr. Fernando Dutra Michel, que está substituindo o secretário Senna em suas férias, desconsiderou as pessoas que estavam ali e num tom de extrema arrogância, apenas disse "não tenho tempo agora para vocês", virou-se e saiu em disparada.
Não é essa atitude que se espera de uma pessoa que é paga para servir a comunidade. O mínimo de respeito da parte dele era o que todos nós esperávamos. Só faltou ele nos mandar a m...
Depois dessa atitude, fomos à Câmara de Vereadores e encaminhamos reunião na CUTHAB para os próximos dias. Estamos também ingressando no Ministério Público devido à negligência da EPTC com relação aos apontamentos de deficiências na sinalização da avenida Baltazar e outras.
Tentamos diversas vezes o diálogo, já que a prefeitura não quis conversar conosco, talvéz agora eles respondam ao MP.
A comunidade da região através de suas lideranças, estarão amanhã em frente à EPTC cobrando do secretário Luiz Afonso Senna a não participação na reunião do Fórum de Segurança.
Em reunião passada o assessor da EPTC Jorge Ribeiro, que estava representando o secretário, garantiu a presença para que se tratasse da questão da segurança no trânsito e a voltas às aulas!
Outro ponto de pauta era a avenida Baltazar, que foi dito que estariam fazendo as correções nos corredores e também a sinalização vertical e horizontal da via.
Nada foi feito. Passados mais de 30 dias das constatações dos erros que a comunidade e também a imprensa fizeram, a EPTC e a Metroplan não retornam nossos contatos, como também não fazem nada com relação à avenida Baltazar.
Por isso, convidamos à todos a estarem amanhã em frente à EPTC (João Neves da Fontoura, 7- próximo à Zero Hora), às 14 horas, para pressionar o secretário Senna a nos receber e dar todos os encaminhamentos necessários às questões.
A manutenção do veto do prefeito de Porto Alegre ao Projeto do Pontal do Estaleiro foi acatada por 27 dos 34 vereadores presentes na sessão de hoje na Câmara Municipal.
Bernardino Vensdrusculo (PMDB), Haroldo de Souza (PMDB), Elias Vidal (PPS) e Reginaldo Pujol (DEM) votaram contra a manutenção do veto. João Antonio Dib (PP), João Carlos Nedel (PP) e Ervino Besson (PDT) optaram por abster-se da votação.
Enquanto a Força Sindical se perde em convencer os trabalhadores a fazerem concessões salariais para garantir três a quatro meses mais de emprego, a CUT busca concessões tributárias e fiscais para que os empresários garantam empregos por tempo mais prolongado. Para ser franco, numa crise sistêmica como a atual, não vai adiantar. Como também não vão adiantar as medidas daqueles governos que estão jogando bilhões de dólares para salvar bancos e empresas. Isso pelo simples fato de que a presente crise do capital é de realização. Isto é, a capacidade de consumo da sociedade tornou-se muito inferior à capacidade social de produção. É evidente que há setores produtivos em que a produção não atende à demanda, mas eles também são arrastados pela crise global, pouco adiantando que estejam melhores. A atual crise foi agravada porque, mais do que nas anteriores, as lambanças do capital financeiro, em especial nos Estados Unidos e na Europa, através dos empréstimos subprime, deram a falsa impressão de que a capacidade de consumo continuava alta, adiando ao máximo a eclosão da crise de realização. O resultado é que o fosso real entre a capacidade produtiva e a capacidade de consumo é muito maior do que qualquer estimativa pessimista. Nessas condições, salvar bancos e empresas pode transformar-se num desastre ainda maior se não for acompanhado de vastos (vastos mesmo) - programas de criação de novos empregos. Em outras palavras, em vastos programas de recriação da capacidade de consumo. São esses programas que podem realmente garantir a sobrevivência das empresas e bancos que ainda não fecharam e criar condições para o retorno de outras, no futuro. Isso é verdade tanto para os Estados Unidos e Europa, quanto para o Brasil, Rússia, Índia, China e demais emergentes. Estes, em teoria, além de não terem responsabilidade pela crise, não deveriam sofrer tanto quanto os países desenvolvidos. Mas, na prática, só não sofrerão grandes danos se entenderem que, apesar das diferenças, a natureza do problema é o mesmo. Ou seja, que a única forma de criar empregos novos, nas atuais condições, reside em abrir frentes de trabalho nas áreas de infra-estrutura industrial, urbana, rural, ambiental e o que mais haja. Essa é uma missão que o capital privado não realizará. Não porque esteja sem dinheiro. Há muito dinheiro concentrado, e a salvo do desastre financeiro. Mas porque, neste momento, não adianta investir em projetos produtivos, que não trarão lucros a curto prazo. Depois, porque poucos capitalistas terão disposição em correr o risco de investir em infra-estrutura. Eles preferirão ver o mundo cair à sua volta, e só pretendem voltar a investir quando a poeira baixar. Então, como já temos reiterado, cabe ao Estado assumir essa missão. O Brasil leva a vantagem de ter o PAC, e do governo haver mantido a elevação do salário mínimo. Porém, na urgência atual isso já não basta. A onda de pessimismo e pânico que assola a burguesia começa a funcionar como os mecanismos internos de alguns organismos que, diante de uma infecção, resolvem responder a ela com uma carga tão alta de anticorpos, que acabam matando o organismo que queriam defender. E o novo salário mínimo só vai ter alguma efetividade na capacidade de consumo se a massa de trabalhadores de baixa renda se mantiver empregada. Por isso, está se esgotando o tempo para apressar os investimentos do PAC, assim como outros meios de criação de empregos, capazes de debelar os estragos da crise na economia brasileira. Estamos vivendo uma situação idêntica às secas do Nordeste: ou são abertas frentes emergenciais de trabalho, ou o resto não valerá de nada. *Wladimir Pomar é escritor e analista político. **Fonte: Correio da Cidadania
Conferência Nacional de Comunicação começa a ser delineada
Começa a tomar forma a primeira Conferência Nacional de Comunicação, reivindicação histórica dos movimentos pela democratização da comunicação. Na última sexta-feira (6), a Comissão Nacional Pró-Conferência deliberou quais entidades serão indicadas para integrar a organização do evento. Entre elas está o Fórum Nacional pela Democratização da Comunicação (FNDC), um dos principais atores na mobilização pela Conferência. a nominata será apresentada na próxima terça-feira (10) em reunião com o Ministério das Comunicações (Minicom).